E assim nasceu uma campanha na rua.

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Written on terça-feira, abril 26, 2011 by Maria

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Assim nasceu uma campanha no word.

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Written on terça-feira, abril 26, 2011 by Maria


O Fim é o princípio.
Nova visão. Nova paisagem.
Ponto final que nos completa
Que é ponto de viragem.
Somos tinta fresca em folha áspera.
O dedo molhado para a agarrar.
A capa dura. Aquilo que procura.
Somos a historia. Desde sempre.
O terramoto de 55 e em 74 a revolução .
Somos todos os nomes. Alexandre Herculano e Ramalho Ortigão.
E somos leitores. Mas mais conhecedores.
Especialistas em mundo, em tudo.
Moldadores de vida. Oferecedores de conteúdo.
Ponto de encontro de pensadores.
Não esquecemos o texto esquecido no tempo. 
Temos pele enrugada de acontecimento.
As páginas são nossas
E o pó que descansa na capa também.
Lemos linhas e conhecemos mentes. 
Somos o que todos os dias empurramos prateleira adentro.
Sabemos falar de guerra e paz,
explicar a origem das espécies
e dizer qual a causa das coisas.
E damos-lhe aquilo que hoje é.
Porque todos somos o que lemos
E nós, somos o que temos. A tradição e a vocação.
O tratamento por tu a Pessoa,
e o atendimento especializado às pessoas.
Somos a voz do autor que ouvimos no silêncio.
Os nomes. A historia de dor e de amor.
Somos o nome do escritor.
A mão do leitor.
já lá vão 300 anos.
E já somos amigos, porque somos o que quer,
somos livros.

pronto, já passou.

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Written on quinta-feira, abril 07, 2011 by Maria

A profissão ganha outro folego quando logo de manhã me pedem para escrever uma carta ao José Luis Peixoto.
A ideia é depois ser outra pessoa a assinar por mim, mas não faz mal, ele lê nas entrelinhas.




Beijinho Zézinho! És lindo!

Deve ser da corrente de ar.

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Written on segunda-feira, abril 04, 2011 by Maria


Andava eu a tirar o curso de publicidade, quando um dos meus professores, o que eu mais admirava, me desiludiu logo na primeira aula. Bastou-lhe dizer “Isto de ser copy é giro nos primeiros tempos, depois de 4 anos, já só queremos fazer outra coisa pelo mesmo salário”
Na altura pensei que só um gajo pouco apaixonado pela publicidade poderia pensar assim. Mesmo depois disto, este foi o meu professor preferido do curso.
Hoje, 4 anos depois. Sinto o mesmo que ele. Com uma enorme diferença, não quero o mesmo salário. Quero um muito melhor.
A publicidade é um mundo meio mágico quando se começa. Tudo parece ser possível. Temos exemplos de campanhas fabulosas e sabemos que um dia, vamos estar numa ficha técnica de uma campanha daquelas. Sonhamos tão alto.
Olho agora para o estagiário da minha agência. Ainda tem aquele brilhinho nos olhos. As ideias palpitam-se para o moleskine a toda a hora. O entusiasmo.
Se tenho saudades é desse entusiasmo.
Perdi-o. Não sei quando. Sei que levei muitas vezes trabalho para casa e resolvi-o com prazer. Ter ideias no sofá, na mesa a jantar, enquanto conduzia, era fácil. Agora, depois de ideias e mais ideias deitadas para lixo. Umas pelo nosso chefe, outras pelo clientes, outras pelo nosso dupla, outras por nós próprios. E depois de ideias e mais ideias estragadas, mudadas para pior, incompreendidas, massacradas por pessoas que não a tiveram mas que têm, porque podem, mexer nelas. Cansei-me.
Sinto que entupi. Entrei em piloto automático e os meus dias de cor e imaginação foram trocados por monotonia. Faço há 4 anos os mesmos anúncios de Natal, os mesmos anúncios de jornais, de centros comerciais, de bebidas, de carros. Os mesmos anúncios chatos e enfadonhos que ninguém lê. Que ninguém liga. Que ninguém quer ver a não ser as pessoas que os pagam. Ganho concursos a outras agencias e vejo toda a gente festejar de copo na mão e a única coisa que sinto é um sorrisinho a rasgar-me a cara, porque sei, tenho a certeza, que a campanha que ganhou o concurso, não vai sair para a rua, porque alguém vai impedir que tal aconteça, não sei quem, mas alguém vai.
E tudo bem, vem mais dinheiro para a agencia, só pode ser bom, pena que eu não seja a dona da agencia.
Para mim, fica tudo na mesma. Só mais um cliente chato, mais trabalho chumbado. E mais cansaço.
Ir gravar um spot de rádio, era uma emoção. Agora dá-me uma seca impossível.
Tudo no trabalho deixou de ser importante.
Importante para mim agora é chegar a casa. É fazer desporto. É andar na rua a ver coisas. É estar com amigos. Com as pessoas que importam. As do trabalho, também percebi agora, importam pouco.  O que é estranho, porque eles também são irmãos, amigos e filhos de alguém. Mas isso são outras conversas.
Dizem que esta fase chega a todos. Mas também dizem que passa. Fico à espera disso mesmo.